O gerente tinha 40 indicadores. O problema estava nas conversas.
26/10/2026 · 2 min de leitura
Fui chamado para um projeto de reestruturação em uma indústria de médio porte.
O cliente disse: "Guilherme, não sei o que está acontecendo. Os indicadores estão caindo há 6 meses."
Cheguei. Vi os dashboards. Tudo muito bem organizado — OEE, absenteísmo, refugo, retrabalho. Cores vermelhas e amarelas em boa parte.
Perguntei para o gerente de produção: "Quando foi a última vez que você sentou com cada líder de turno para dar um feedback estruturado?"
Silêncio.
"Fazemos reunião todo dia", ele respondeu.
"Reunião de resultado não é feedback. Você fala com eles sobre o indicador. Eu estou perguntando quando foi a última vez que você falou com eles sobre o comportamento que está gerando o indicador."
Aqui estava o problema.
A empresa tinha um sistema de gestão à vista impecável. Tinha reuniões diárias. Tinha metas bem definidas.
O que não tinha era a conversa que precisa acontecer antes do gráfico subir.
Nos três meses seguintes, trabalhamos a cultura de feedback em toda a cadeia de liderança. Implantamos o modelo SCI — Situação, Comportamento, Impacto — como padrão de comunicação de desempenho.
Cada gerente passou a ter 1:1 quinzenais com seus líderes de turno. Cada líder de turno passou a dar feedback estruturado semanalmente com seus operadores mais estratégicos.
Resultado após 120 dias: → Queda de 31% no índice de retrabalho → Queda de 18% no absenteísmo → Três líderes de turno promovidos de dentro para supervisão
A linha de produção não mudou. O equipamento não mudou. O que mudou foi a qualidade das conversas que acontecem entre os turnos.
Um dado que aprendi nesse projeto: 82% dos gestores industriais afirmam dar feedback regularmente.
Quando pergunto para suas equipes, menos de 30% confirmam ter recebido um feedback estruturado no último mês.
Existe um GAP enorme entre intenção e execução.
Isso tem nome: é o custo invisível do silêncio.
Pergunta para você: na sua operação, o que está sendo medido no dashboard mas não está sendo conversado nas reuniões?
Escreva nos comentários — fico curioso para ouvir.
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Guilherme Ezequiel — Chief People & Strategy Officer
Chief People & Strategy Officer do Grupo DHO. Administrador, conecta estratégia, pessoas e finanças no desenho organizacional e na governança de empresas de médio porte.