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O Brasil tem 546 mil afastamentos por saúde mental. E os líderes também estão nessa conta

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O Brasil tem 546 mil afastamentos por saúde mental. E os líderes também estão nessa conta

Quando se fala em burnout no trabalho, o olhar vai imediatamente para os colaboradores da base. Para quem cumpre ordens, executa tarefas, corre contra prazos.

Mas os dados contam uma história que o ambiente corporativo prefere ignorar: quem lidera também está quebrando.

Os números que o mercado não quer ver

Os mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 mostram que algo quebrou na lógica do trabalho. Burnout, ansiedade e depressão deixaram de ser exceção e viraram parte do dia a dia em muitos setores. Terra

De acordo com dados da ISMA-BR e do Ministério da Previdência Social, em 2024 foram concedidas mais de 472 mil licenças relacionadas a depressão, ansiedade e burnout — uma estatística que representa crescimento de mais de 400% desde a pandemia. HSM Management

E dentro desse universo, os gestores aparecem como um grupo especialmente silencioso e especialmente vulnerável.

Nos últimos 12 meses, 27% dos líderes receberam diagnóstico de estresse, ansiedade ou burnout — número que era de 22% em 2024. E entre os diagnosticados, 63% não compartilharam a situação com seus superiores. FlashApp

O líder adoece. E esconde.

Por que o burnout da liderança é diferente

O burnout de liderança segue como um dos fatores menos discutidos no ambiente corporativo brasileiro, apesar de seus efeitos diretos sobre desempenho e engajamento. Três elementos ajudam a explicar sua recorrência: a hiperoperacionalização, que consome tempo com tarefas que poderiam ser delegadas; a cultura da autossuficiência, que desestimula a expressão de fragilidade; e a limitação dos programas de desenvolvimento, ainda focados em habilidades técnicas e pouco voltados à gestão emocional. CartaCapital

Um estudo da FGV e da Engaja S/A em 2025 mostrou que a ansiedade nos cargos de liderança era de 78% — quase quatro vezes superior à registrada entre liderados, que ficou em 20%. ABRH-SP

Isso significa que o líder médio carrega quase quatro vezes mais ansiedade do que a pessoa que ele lidera. E ainda precisa parecer estável.

O custo organizacional que ninguém calcula

O levantamento da Gallup indica que 70% da variação no engajamento das equipes está ligada ao comportamento do líder. E a McKinsey aponta ganho de até 25% em produtividade quando há empatia e autoconsciência na gestão. CartaCapital

Isso significa que quando o líder quebra, o time inteiro sente. Mas o inverso também é verdade: quando o líder é cuidado, a equipe performa melhor.

O Brasil é o segundo país no mundo com mais casos de burnout, com 3 em cada 10 profissionais apresentando sintomas, segundo dados da International Stress Management Association. Perdemos apenas para o Japão. Seja Relevante

Chegamos ao ponto em que cuidar do líder deixou de ser pauta de bem-estar e passou a ser estratégia de negócio.

Quem cuida de quem lidera? Essa pergunta ainda não tem uma resposta boa no Brasil corporativo. Mas as empresas que responderem primeiro vão sair na frente.

Guilherme Ezequiel — Chief People & Strategy Officer

Chief People & Strategy Officer do Grupo DHO. Administrador, conecta estratégia, pessoas e finanças no desenho organizacional e na governança de empresas de médio porte.

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